terça-feira, 5 de julho de 2011
Necessidade
Não concebo nada que tenha vida, que antes, muito antes não tenha sido verbo. Sonho. Projeto. Palavra e Silêncio.
E mesmo quando não há nada a escutar, o silêncio conta.
Porque é preciso narrar. Sempre. Para saber e fazer quem somos e o que virá.
Em breve, novas postagens por aqui.
sábado, 5 de março de 2011
Quando a literatura nos salva...
Para ler e não deixar até o último ponto final.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Receitas
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Carta aos leitores com os quais convivi nesses quatro anos de Projeto Letras de Luz
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Rua do Medo - Leonardo Cortez - CCSP até 19 de dezembro - 5a. , 6a. e sábado às 21h e domingo às 20h
Numa família repleta de personagens, imitá-los foi o primeiro ato. Depois, seguiu-se a paródia dos programas de TV. Momento do Jornal Nacional, pausa para informar a programação do dia. Todos descíamos caracterizados com as roupas garimpadas nos armários dos meus pais e pronto: a festa continuava. Sim, continuava. Porque já havia começado muito antes, enquanto planejávamos a cena, definíamos os papéis e o roteiro. Tudo muito bem improvisado.quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Primeiras leituras. Primeiras histórias.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Dzi Croquettes - Tatiana Issa e Raphael Alvarez - 2009 - Brasil
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A Origem - Christopher Nolan
E se todos nós fizermos parte do desejo, da lembrança ou até mesmo da histeria de alguém?
E se isso tudo for possível, como e quando é hora de acordar?
Mais uma vez, Christopher Nolan faz um filme daqueles que prendem o fôlego, nos deixam cheios de interrogações e com pouquíssimas respostas.
Usando o cinema para falar de sonhos, o diretor faz pura metalinguagem. Com toda tecnologia de que dispomos atualmente, na tela todos os mundos podem existir. E no universo de Nolan, há sempre muito sobre o que pensar.
Achei brilhante o modo como o filme ilustra o funcionamento da mente: esse labirinto exclusivo que criamos a partir de todas as experiências que vivemos - conscientes ou não. As defesas que nos protegem de outras realidades, as lembranças que aprisionamos em andares abandonados, os segredos que guardamos de nós mesmos, as mentiras que nos contamos...
Como um quadro de Dali, onde nada faz sentido e ao mesmo tempo tudo é pura integração, entrar na mente dos personagens do filme é uma viagem que nos faz pensar sobre nosso próprio mundo. Sobre as imagens que fizemos surgir para tornar a realidade possível.
Vivemos em um constante paradigma: Sem sonhos, tudo aqui talvez fosse muito difícil. Sem saber a verdade, só teríamos a sombra.
Há uma linha tênue que divide esses dois universos paralelos. Atravessá-la, para alguns, pode significar um salto para a loucura.
Para aqueles que se lançam em outras direções pode ser um primeiro passo em busca da liberdade, da individualidade. Um mergulho para poucos.
Para ver e rever. E sonhar.
sábado, 19 de junho de 2010
Morreu José Saramago. Autor de um dos livros que mais me surpreendeu em minha história leitora
sexta-feira, 21 de maio de 2010
A sociedade literária e a torta de casca de batata - Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Comer, rezar e amar - Elisabeth Gilbert - Editora Objetiva
Esse é mais um caso em que isso acontece comigo. Na verdade, dessa vez, quem o escolheu por mim foi minha mãe. Presente de aniversário.
Sucesso de vendas há algum tempo, em breve estará nas telas do cinema com Julia Roberts no papel da protagonista. O livro narra a história real de Liz Gilbert: americana, divorciada e escritora que após uma grande crise pessoal resolve viajar o mundo e passar quatro meses exercitando com intensidade cada um dos verbos do título.
Parece bem simples. E é mesmo. Como a vida de qualquer um de nós: cheia de clichês.
Num tempo em que muitos vivem no automático, não é raro nos sentirmos vazios. Termos medo do que é novo. Daquilo que não conhecemos.
Há sempre um apego muito grande às coisas que já não fazem mais parte da nossa história, mesmo quando são elas que nos fazem mal. E, se não estivermos atentos, perdemos nossa ligação com tudo o que realmente importa.
Como Liz, penso que precisamos cuidar daquilo que comemos. Do que deixamos que seja parte do nosso corpo. Do que nos alimenta. Ou estaremos fadados há sentir o gosto amargo daquilo que não conseguimos digerir, dos sapos que engolimos e de tudo o que consumimos sem consciência. Sem decisão. E, um belo dia, acordaremos e nos daremos conta de que estamos cheios do que não nos sustenta e descobriremos que por estarmos ausentes de nós mesmos, fomos vítimas de uma mentira. Muitas vezes, uma doce mentira contada por nós mesmos.
No caso da personagem do livro essa tomada de consciência se dá em meio a um casamento fracassado. Para outros é preciso um câncer ou qualquer doença terminal. O corpo fala. E às vezes, grita. Urra.
Quando se quer o novo, é preciso abandonar o velho. Limpar o pó das mágoas. Reconhecer os movimentos que nos fazem voltar à antigos padrões. É preciso ficar sempre alerta. Atento e forte. Mantendo-se conectado com aquilo que realmente importa. Com presença e integridade em tudo o que fazemos. Rezando. Meditando. Buscando nossa essência.
Pouco importa o caminho escolhido. Imprescindível é que ele seja feito com lucidez. Com consciência. Perseguindo arduamente o que de fato somos. O que se esconde por baixo das couraças, por traz das nossas máscaras e das fantasias que criamos para sermos "aceitos", para sobrevivermos às nossas impressões sobre o mundo que nos cerca.
Pode ser em um ashram na Índia. Ou em um lugar bem próximo e, paradoxalmente, muito mais difícil de se ir: dentro de nós mesmos.
Por fim, é preciso amar. Não da forma romântica e idealizada que nos faz consumir cafés da manhã de comerciais de margarina. Nem da forma egoísta em que se baseia a pseudo auto-estima que ajuda a vender milhões em cosméticos e auto-ajuda.
Uma vez escolhendo o que queremos trazer para dentro de nós, o que de fato nos alimenta, inevitavelmente, nos ligamos ao que realmente importa. O encontro pode nos mostrar algo que não queremos enxergar. Uma verdade dura de se ver. Mas, se tivermos coragem e lucidez podemos aprender a aceitar, acolher, amar, compreender o que somos e quem sabe encontraremos o tão desejado equilíbrio?
Como a autora-personagem, fico feliz em saber que todos nos sentimos perdidos. É um alívio não me obrigar a ser dona de nenhuma verdade. Por que as verdades são muitas. E querer enquadrar a todos em nosso modelo de felicidade é frustração na certa. O caminho de cada um é único.
Minha busca ainda não acabou. Diferentemente de Liz Gilbert, ainda não sei onde isso vai me levar.
Mas, há uma esperança aqui dentro de que, talvez os momentos de crise possam me trazer para mais perto de mim mesma. Pondo-me em contato com o mundo e com os outros. E, quem sabe, aproximando-me cada vez mais do que realmente pode ser a VIDA.
terça-feira, 2 de março de 2010
Grande sertão: Veredas - Guimarães Rosa
"Nonada".Como se diz tanto, com tão pouco?
Há imagens que ficam impressas na memória, como se fizessem parte da nossa história, mesmo que nunca tenhamos vivido a experiência.
Alguns chamarão isso de inconsciente coletivo. Prefiro acreditar que existem certos retratos que espelham a condição humana com tamanha verdade que logo nos identificamos e reconhecemos-nos como parte da cena.
É assim com a obra de Guimarães. Mesmo quem nunca foi ao sertão, sente a aridez do combate, a solidão das veredas e a tensão pela espera da morte sempre anunciada.
Mesmo quem nunca amou sem conflito, experimenta a contradição dos sentimentos entre Tatarana e Diadorim.
Foram muitas páginas de conversa com Guimarães por meio de Riobaldo, falando coisas sobre a vida com tamanha simplicidade, intensidade e beleza... Uma verdadeira obra de arte esculpida em palavras.
Para mim, é essa a matéria da qual são feitos os grandes escritores. Não exatamente o que eles dizem mas, a forma como são capazes de traduzir a condição humana em palavras. E por saberem burilar o verbo com maestria, nos envolvemos na trama, nos detalhes e comungamos as venturas e desventuras experimentadas pelas personagens.
Surpreendi-me, com a tristeza, a dor e a intensidade com a qual senti a descoberta de um amor possível que durante toda uma vida pareceu improvável. Chorei a morte de Diadorim.
Numa sexta-feira de sol, sentada na cama, vi-me como Bastian de "A história sem fim", lamentando o ponto final definitivo dessa narrativa.
Prazeres que só quem partilha a experiência de amar os livros e tentar ser mais humano a partir da experiência narrada por outros é capaz de sentir.
Para ler e reler. Para perder e encontrar.
Para férias de janeiro, para os tempos de sertão. Para pausas nas veredas da vida.
Guimarães, sempre.
"O céu vem abaixando. Narrei ao senhor.
No que narrei, o senhor até ache mais do que eu, a minha verdade.
Fim que foi. Aqui a estória se acabou.
Aqui, a estória acabada.
Aqui a estória acaba."
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Abraços partidos - Pedro Almodóvar
Nesse fim de semana dei-me de presente o novo filme do Almdóvar: "Abraços partidos".quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Literaterapia


domingo, 1 de novembro de 2009
Minhas aventuras pela literatura latino-americana

Até bem pouco tempo atrás, meu conhecimento da literatura latino-americana resumia-se a Gabriel Garcia Márquez. Desde que fui apresentada aos maravilhosos "Cem anos de solidão", fiz como todos os apaixonados: corri atrás de mais, mais do mesmo. Li várias de seus livros. Emprestei alguns, comprei outros.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Mais estranho que a ficção - Marc Foster (2006)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Ficções - Jorge Luís Borges - Abril Cultural, 1972

sexta-feira, 3 de julho de 2009
A viagem do elefante de José Saramago

Para começo de conversa, é Saramago. E se tratando dele, até quando não é excelente, é muito bom.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Algum dia - Peter H. Reynolds
Há alguns anos, achei esse livro numa prateleira dessas que costumam encher meus olhos nas andanças pelas livrarias afora.sábado, 6 de junho de 2009
Os diários de leitura
Desde o começo dessa aventura, mencionei que os diários eram uma proposta que seria incorporada ao Projeto Letras de Luz: iniciativa da qual faço parte com muito orgulho e convicção.
Entre os meses de março e abril fizemos a primeira oficina com os professores de algumas cidades de quatro estados brasileiros: São Paulo, Espírio Santo, Tocantis e Mato Grosso do Sul.
Falamos sobre propósitos e comportamentos leitores, sobre nossos gostos literários, sobre os desafios que devíamos nos impor ao longo do trabalho desse ano.
Como todo primeiro encontro, o clima foi de encantamento mútuo e vontade de trocar idéias, de partilhar sonhos e projetos comuns.
Confesso que fiquei bastante ansiosa por saber as impressões que as discussões que provocamos poderiam trazer. E com muita alegria pude constatar que a segunda oficina foi um verdadeiro encontro com as histórias. As nossas, as dos livros, as dos colegas, as do mundo...Palavras povoaram nossa sala.
Começamos com os Diários de leitura. Capas cheias de criatividade e conteúdo repleto de comentários sobre as mais diversas experiências leitoras. Alguns fizeram suas próprias reflexões sobre livros que descobriram nesses meses, como as crônicas de Rubem Braga. Outros criaram várias reflexões sobre o ato de ler, registrando-as por meio de colagens. Alguns preferiram copiar as citações, poemas, fragmentos que marcaram sua experiência leitora. Houve quem começasse listando os livros que leu, os que gostaria de ler, os autores favoritos etc. Muitos fizeram os diários das leituras feitas com os alunos. Páginas povoadas de recortes de jornal, receitas, contos, artigos, poemas. Dedicando esse momento para a leitura, descobrimos que ela está presente em todo lugar e pode ser experimentada sempre que ousarmos abrir espaço em nossas vidas para que as palavras sejam soberanas.
Discutimos sobre a importância das histórias na construção de nossas identidades. Somos aquilo que contamos.
O vídeo “Histórias” nos mostrou que povos do mundo inteiro já estiveram e estão ao redor do fogo, narrando acontecimentos fantásticos ou suas próprias epopéias diárias. E com isso, se aproximam, se aconchegam e se reconhecem humanos.
Ouvimos o “Apelo” de Dalton Trevisan nas vozes de diferentes colegas. Notamos que, embora as palavras sejam iguais e na leitura de um texto escrito prevaleça a fidelidade à forma como o autor se expressa, é em nossa entonação, em nossa relação com o texto que deixamos nossa marca para aqueles que nos ouvem.
Reconhecemos que o contar nos expõe: testa nossa memória, nos põe em contato direto com o grupo, abre-se para o gesto, para o tom coloquial e para a improvisação. Narramos e somos narrados a todo momento.
Houve também espaço para o jogo, para o riso solto. Para a palavra que ganha vida a partir da encenação. Muitos participantes experimentaram, pela primeira vez, a delícia da leitura dramática e a força do diálogo na construção de sentidos de uma cena. Por alguns momentos, pudemos ser Chicó, João Grilo, Padre João, o Padeiro, Major Antônio Morais, a Gorda, o Puxa, a Professora de Ciências e tantos outros personagens. Mais uma vez, o verbo foi soberano.
E notei que muitos saíram descobrindo-se contadores. Percebendo a importância de trazer de volta as narrativas. Reconhecendo a necessidade do planejamento, da escolha consciente, do preparo, da sensibilidade para estabelecer uma conexão com o grupo e resgatar a “arte de contar histórias”. Um ofício que pode ser acessado por todos aqueles que estiverem dispostos a deixar que a palavra esteja sempre presente em nossas experiências.
Mal posso esperar pelo terceiro encontro para saber sobre as histórias que foram contadas, os textos que foram lidos e as peças que foram levadas ao palco.
Com certeza, as vozes da escrita serão ouvidas muito longe...





